terça-feira, 21 de junho de 2011

Um brasileiro lavando a alma do país!


Durante debate em uma universidade, nos Estados Unidos, o ex-governador do DF, ex-ministro da educação e actual senador CRISTÓVAM BUARQUE, foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazónia. O jovem americano introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um Humanista e não de um brasileiro. Esta foi a resposta do Sr.Cristóvam Buarque: "De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazónia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse património, ele é nosso. "Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazónia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade. "Se a Amazónia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazónia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extracção de petróleo e subir ou não o seu preço." "Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazónia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazónia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação. "Antes mesmo da Amazónia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo génio humano. Não se pode deixar esse património cultural, como o património natural Amazónico, seja manipulado e instruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado. "Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milénio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro. "Se os EUA querem internacionalizar a Amazónia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maiores do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil. "Defendo a ideia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como património que merece cuidados do mundo inteiro. "Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazónia seja nossa. Só nossa!


2 comentários:

Piko disse...

Alto aí!... Este HUMANISTA brasileiro, quanto a mim está muito certo! Em poucos minutos e em casa da maior potência mundial disse o que lhe ia na "alma" e chamou aos bois pelos seus verdadeiros nomes! Ou seja, o egoísmo exacerbado do capitalismo mundial, renascido, após a vitória da 2ª Guerra Mundial, onde todos querem ser GRANDES e FORTES, mas que só alguns conseguem, deu neste pandemónio, de quase loucura colectiva, que leva países pequenos como o nosso a ser "geridos" por pessoas medíocres e bajuladores, que deitam para trás das costas toda a nossa rica história colectiva e levando pensadores mais lúcidos como Saramago a deixar mensagens de profunda angústia - pouco antes da sua morte - acerca de um povo e de um país, que tão carente estava de um rumo mais sóbrio e mais salutar a todos os níveis...
Percebo perfeitamente este desabafo de um brasileiro, que também já se apercebeu que o seu país pode não estar há décadas a tratar bem toda a bacia Amazónica, mas, se ali fosse dada rédea solta às grandes multinacionais americanas, e não só, o desastre ecológico teria ainda dimensões bem maiores...
Mas é muito bom que os cidadãos deste planeta acordem para o despertar de sentimentos e posições que unam mais as sociedades a mudar o rumo para uma mudança que deve começar a sentir-se a nascer de baixo!
Acredita Leiria que desta vez adorei o texto!
Um abraço!

edumanes disse...

Faça-se luz onde ela não há,
Por muitos país a miséria abunda
No Brasil, Argentina ou no Canadá
Que ninguém, as promessas confunda!

São ricos os americanos?
No mundo vivem com medo
São de origem africanos
Pretendem viver em segredo.

Continuação de uma boa semana,
Eduardo.