quarta-feira, 28 de março de 2012

DESABAFO

Na fila do supermercado, o homem da caixa diz a uma senhora idosa:
- A senhora deveria trazer os seus próprios sacos para as compras, uma vez que os sacos de plástico não são amigos do meio ambiente.
A senhora pediu desculpas e disse:
- Não havia essa onda verde no meu tempo.
O empregado respondeu:
- Esse é exactamente o nosso problema hoje, minha senhora. A sua geração não se preocupou o suficiente com o nosso meio ambiente!
- Você tem razão - responde a senhora idosa - a nossa geração não se preocupou adequadamente com o meio ambiente. Naquela época, as garrafas de leite, garrafas de refrigerante e cerveja eram devolvidos à loja. A loja mandava-as de volta para a fábrica, onde eram lavadas e esterilizadas antes de as tornar a utilizar, e eles, os fabricantes de bebidas, usavam as garrafas, umas tantas outras vezes.
Realmente não nos preocupámos com o meio ambiente no nosso tempo. Subíamos as escadas, porque não havia escadas rolantes nas lojas e nos escritórios. Caminhávamos até ao comércio, em vez de usar o nosso carro de 300 cavalos de potência a cada vez que precisamos de caminhar dois quarteirões.
Mas você tem razão. Nós não nos preocupávamos com o meio ambiente. Naquele tempo, as fraldas de bebês eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis. Roupas secas: a secagem era feita por nós mesmos, não nestas máquinas bamboleantes de 220 volts. A energia solar e eólica é que realmente secavam as nossas roupas. Os meninos pequenos usavam as roupas que tinham sido dos seus irmãos mais velhos, e não roupas sempre novas.
Mas é verdade: não havia preocupação com o meio ambiente, naqueles dias. Naquela época só tínhamos uma televisão ou rádio em casa, e não uma TV em cada quarto. E a TV tinha um ecrã do tamanho de um lenço, não um ecrã do tamanho de um estádio; que depois será descartado, e como?
Na cozinha, tínhamos que bater tudo com as mãos porque não havia máquinas eléctricas, que fazem tudo por nós. Quando embalávamos algo um pouco frágil para enviar pelo correio, usávamos jornal amassado para protegê-lo, não plástico com bolhas ou pellets de plástico que duram quinhentos anos para se degradarem. Naqueles tempos não se usava um motor a gasolina apenas para cortar a relva, era utilizado um cortador de relva que exigia músculos. O exercício era extraordinário e natural, e não precisávamos de ir a um ginásio e usar máquinas para fazer de conta que caminhamos e que também funcionam a electricidade. Preferíamos caminhar na cidade ou no campo.
Mas você tem razão: não havia naquela época preocupação com o meio ambiente. Bebíamos directamente da fonte, quando estávamos com sede, em vez de usar copos plásticos e garrafas pet que agora envenenam os oceanos. Canetas: recarregávamos com tinta umas tantas vezes ao invés de comprar uma outra. Abandonamos as navalhas (afiáveis), e agora deitamos fora todos os aparelhos 'descartáveis' e poluentes só porque a lâmina deixou de cortar.
Na verdade, tivemos uma onda verde naquela época. Naqueles dias, as pessoas tomavam o autocarro e os meninos iam de bicicleta ou a pé para a escola, em vez de usar a mãe ou o pai como um serviço de táxi 24 horas. Tínhamos apenas uma tomada em cada quarto, e não um quadro de tomadas em cada parede para alimentar uma dúzia de aparelhos. E nós não precisávamos de um GPS para receber sinais de satélites a milhas de distância no espaço, só para encontrar a pizzaria mais próxima.
Então, não é engraçado que a actual geração fale tanto no meio ambiente, mas não quer abrir mão de nada e não pensa em viver um pouco como na minha época?

3 comentários:

edumanes disse...

Não querem abrir a mão de nada,
Mas poderão sem nada na mão ficar
Neste ambiente de tanta trapalhada
De tanga no futuro poderão andar!

Para que serve o GPS
Se o coelho o resto quer roer
Queixavam-se do PS
Tomem lá que é para aprender!

Desejo um bom dia de quinta-feira para ti, amigo
Artur Leiria,
Um abraço
Eduardo.

António Querido disse...

Esta Grande Senhora, certamente esteve a falar para o boneco, porque não existe nenhum jovem com pachorra para ouvir tanta verdade!
O meu abraço

Observador disse...

Dou-lhe vinte valores, não há-de ser só o Professor Marcelo a ter esse direito, cá o Rapaz pelo menos uma vez na vida vai fazê-lo e penso que estará bem entregue esta pontuação á Srª Autora deste texto.
Um abraço
Virgílio